Os Missionários Mórmons

O Massacre do Monte Meadows

Em uma tentativa de desacreditar ambos, membros e líderes da Igreja Mórmon, os críticos e oponentes frequentemente se referem a um incidente isolado e trágico na história do Mormonismo, o qual eles afirmam que isso prova que os Mórmons são violentos e estão prontos para matar qualquer pessoa que se opor a eles. Esse incidente, conhecido como o Massacre do Monte Meadows, ocorreu no início de setembro de 1857 no sul do estado de Utah.

Contrário às palavras de raiva e sensacionalistas que têm sido jogadas contra a Igreja Mórmon e contra Brigham Young, segundo Profeta e Presidente da Igreja em particular, esse massacre horrível contra uma companhia de carroções não tem nada haver com o Mormonismo ou até mesmo com religião. Mas, esse trágico e indesculpável ato aconteceu pelas mãos de assentadores temerosos que acreditavam, quer ser certo ou não, que suas vidas estavam em perigo. Eles agiram independentemente e com bastante imprudência, mas infelizmente os seus atos permanecem em nossas memórias.

Para entender porque o massacre aconteceu, precisamos rever um pouco a história dos Mórmons até então. A Igreja Mórmon foi fundada em 1830 ao norte do estado de Nova York, mas as perseguições fizeram com que fossem expulsos para Ohio e então para o Missouri. A maioria dessa perseguição estava centrada em Joseph Smith, o Profeta e fundador da Igreja, por causa da suas declarações sobre visões e sobre revelações. Os Mórmons também tinham a tendência de ser bem próximos um dos outros e a trabalharem juntos, o que preocupou os seus vizinhos que temiam o domínio econômico e político dos Mórmons.

No final da década de 1830 a Igreja Mórmon foi severamente perseguida no Missouri e milhares de seus membros foram expulsos de seus lares por turbas, e muitos foram massacrados. Eventualmente os membros sobreviventes fugiram para Illinois onde eles tiveram paz por algum tempo, mas os mesmos problemas começaram a acontecer lá também. Em 1844 Joseph Smith foi assassinado por uma turba e em fevereiro de 1846 os Mórmons foram expulsos de Illinois. Brigham Young, sucessor de Joseph Smith, guiou os Mórmons para o oeste, em direção a Utah, onde eles estabeleceram suas próprias cidades e esperavam estar livres da violência e interferência das turbas e assim viveram por aproximadamente dez anos.

Por volta de 1857, apenas 27 anos após a sua fundação, a Igreja Mórmon tinha aproximadamente 55.000 membros, muitos dos quais, talvez a maioria, vivia em Utah. Em 1852 a Igreja anunciou a prática da poligamia, ou casamento plural como eles o chamavam, o que causou muita tensão com o governo americano. Em 1850 o presidente americano, Millard Fillmore, havia indicado Brigham Young como o governador do estado. Algumas dessas pessoas indicadas pelo governo federal entraram em conflito com os Mórmons e com outros oficiais do estado. Eles retornaram para Washington e falaram para o Presidente dos Estados Unidos, James Buchanan, que os Mórmons estavam se rebelando contra os Estados Unidos, uma rebelião que nunca existiu e não passou de uma grande mentira. O novo Presidente cortou, imediatamente, toda a comunicação com Utah e indicou um novo governador, Alfred Cumming, sem informar a Brigham Young o acontecido.

Ele também enviou tropas federais para escoltar Cumming até Utah. Quando os Mórmons e outros viajantes que estavam cruzando a Grande Planície em direção a Utah relataram os rumores sobre esse exército, os Mórmons em Utah, incertos de seu propósito, ficaram preparados para o pior. Muitos daqueles vivendo em Utah tinham ainda vivo na memória as ocasiões onde foram expulsos do Missouri e de Illinois por turbas e exércitos, e decidiram que desta vez não sairiam de Utah. Esse conflito sem batalhas ou derramamento de sangue ficou conhecido na história americana como A Guerra de Utah. As noticias sobre a aproximação desse exército chegou no fim de julho de 1857 e em agosto daquele mesmo ano a companhia de carroções Baker-Fancher entrou em Utah em sua trajetória para a Califórnia.

A companhia Baker-Fancher era formada por aproximadamente 120 emigrantes dos estados de Arkansas e Missouri. A princípio eles acamparam por fora da cidade de Salt Lake e de lá eles marcharam para o sul do estado de Utah. Não houve nenhum problema a princípio, mas depois de certo tempo os Mórmons do sul de Utah começaram a relatar alguns comentários que a companhia de carroções estava fazendo sobre como alguns deles tinham participado das perseguições contra os Mórmons no Missouri ou como um exército viria e os varreria daquelas terras. Juntamente com a tensão da chegada do exército e da isolação causada pelo corte de todo e qualquer tipo de comunicação feita pelo governo, os incidentes com a companhia de carroção, o qual realmente eram os menores, foram como uma faísca.

Em setembro de 1857 a companhia Baker-Fancher acampou perto da Cidade Cedar, Utah, em um local chamado Monte Meadows. A alta ansiedade trazida pelos rumores sobre a companhia, o avanço das tropas federais, a seca que muitos tinha sofrido durante o ano e a memória da violência no Missouri e Illinois, todas combinadas em uma atmosfera explosiva, mas ainda assim os residentes não estavam certos sobre quais ações deveria tomar. Alguns se reuniram em conselho enquanto outros viajaram para Salt Lake City para pedir algum conselho. Um outro grupo liderado por John D. Lee se encontrou com os índios locais, os Paiute. Enquanto os Mórmons de Cedar City decidiram aguardar até que uma decisão fosse tomada em Salt Lake e então passada para eles para que os temperamentos pudessem esfriar, Lee chegou no Monte Meadows com um bando de Índios. É desconhecido o porquê ou de quem partiu o primeiro tiro no dia 07 de setembro, mas qualquer que seja a resposta, uma grande batalha começou. Durante o ataque a companhia Baker-Fancher enviou homens à Cedar City para pedir ajuda contra os índios, mas infelizmente alguns homens brancos desconhecidos os atacaram e fizeram com que eles retornassem ao acampamento. Os Mórmons da área estavam histéricos e preocupados que se a companhia Baker-Fancher chegasse à Califórnia, eles voltariam com um exército para atacar os assentamentos Mórmons. Então, no dia 11 de setembro de 1857, John D. Lee e vários outros homens massacraram os adultos sobreviventes da companhia de carroções. Apenas dezessete crianças com a idade inferior a oito anos sobreviveram. Mensageiros de Salt Lake se apressaram para chegar ao local da batalha para avisar os Mórmons locais para não interferir na viagem da companhia Baker-Fancher, mas infelizmente, quando os mensageiros chegaram era dia 13 de setembro, dois dias depois do massacre, e nesse momento já era tarde demais.

Brigham Young e o resto dos Mórmons no norte do estado de Utah estavam muito preocupados com a chegada do exército para se preocupar com o massacre. Finalmente o exército marchou pacificamente em Salt Lake City, Brigham Young foi substituído por Alfred Cumming como governador do estado. Quando o Presidente Buchanan descobriu que não havia tido nenhuma rebelião, ele enviou uma carta de perdão a todos os cidadãos de Utah, o qual Cumming entendeu que deveria incluir o massacre.os Mórmons locais não acreditaram no Governo Federal e estavam dispostos a cooperar com qualquer tentativa de investigar o caso. Finalmente a Igreja Mórmon excomungou todos pareciam estar envolvidos no massacre e em 1877 John D. Lee foi julgado e considerado culpado e então foi executado por sua participação no massacre. Outras tentativas de trazer outros líderes para a justiça falharam por falta de evidencia.

Os críticos do Mormonismo dizem que Brigham Young ordenou o massacre ou que a doutrina e prática Mórmon inspiram assassinatos contra aqueles que não são membros da Igreja, entretanto, isso pode ser provado ser falso, facilmente. A doutrina Mórmon não ensina a violência, mas seguem os ensinamentos de Jesus Cristo para dar a outra face e para amar os nossos inimigos. Esses homens cometeram essa atrocidade mesmo sendo Mórmons, e não por serem Mórmons. Os Mórmons foram expulsos inúmeras vezes do Missouri, Illinois, Ohio entre outros e nunca matou nenhum de seus oponentes. Mais ainda, muitas outras companhias de carroções e centenas de outras pessoas passaram pacificamente pelo território de Utah durante esse mesmo período. Esse incidente particular aconteceu devido a uma serie de eventos trágicos. Caso não houvesse a pressão de pensar que tinha um exército vindo para atacá-los, os Mórmons teriam permitido que a companhia de carroções passasse assim como eles haviam deixado as outras passar.

Cada grande comunidade tem seus problemas e a Igreja Mórmon nunca declarou que a sal mensagem é baseada na perfeita conduta de seus membros. Na história da religião, muitos grupos diferentes em varias épocas tem agido de forma contrária aos ensinamentos pacíficos da maioria de seus fundadores. Basta olhar para as cruzadas, a inquisição e o apoio à escravidão por muitos pregadores do sul antes da Guerra Civil Americana. Como podemos ver, nenhuma comunidade religiosa está completamente livre de incidentes como esses, e quando estudamos as crenças de alguém, em importante não comparar o nosso melhor com o pior dessa religião. Os Mórmons e a Igreja Mórmon condenam o Massacre do Monte Meadows, mas também condena qualquer tentativa de colocar a responsabilidade desse acontecimento sobre a mesma, uma vez que seus líderes tentaram parar esse incidente, de forma não bem sucedida.